Peço-lhe, caro leitor, que no fim de ler este parágrafo, caso a sua gentileza e paciência para com este pobre escriba o façam chegar lá, guarde um minuto de silêncio. Não será fácil pois existirá ruído com certeza. O trabalhar do computador onde lê este blog, talvez os sons que lhe chegam da rua, quem sabe até a música que ouve enquanto se passeia pela informação disponível na internet. Não será fácil mas peço-lhe que tente, agora, sentir o peso de um minuto de silêncio.
Se o conseguiu, poderá melhor apreciar o que pretendo transmitir com o post de hoje.
Recentemente verifico a ocorrência de um fenómeno na sociedade que se prende com o silêncio. O desrespeito pelo mesmo quando se pede que seja guardado um minuto de silêncio em memória de alguém ou para recordar um acontecimento trágico. Já assisti, a pelo menos duas ocasiões em que o minuto de silêncio foi preenchido por aplausos. Uma das quais num acontecimento desportivo onde estavam presentes estranjeiros que se entreolhavam chocados e surpreendidos pela atitude do público português em aplaudir durante aquele período. Alguns chegaram mesmo a assobiar e apupar essa atitude.
A ideia do minuto de silêncio é, em primeiro lugar, demonstrar pesar pela perda e respeito pela memória dos que nos deixaram, normalmente em situações trágicas. Em segundo pretende-se que as pessoas meditem durante esse período em tudo aquilo que pode significar para elas a morte de outros seres humanos e, consequentemente, em tomar consciência de que, inevitavelmente, chegará a sua vez.
Este silêncio permite a introspecção. Permite apreciar o peso dos sentimentos.
Da última vez em que vi o minuto de silêncio assim violado, as pessoas sorriam enquanto aplaudiam e conversavam com quem estava ao seu lado... Todo o significado da homenagem estava perdido para elas e portanto, a própria homenagem ficava vazia do mesmo.
Não tenho a certeza se em todas as culturas o silêncio tem o mesmo significado, mas sei que se observarmos uma criança, ainda não deformada pelas modas e imposições da sociedade, notaremos que os aplausos são manifestação de alegria e o silêncio significa abstracção, concentração e em caso de existirem motivos, tristeza.
Tive já também o privilégio de estar em locais onde o silêncio reina. No topo das montanhas do Gerês, podemos sentir a paz e a tranquilidade que a quietude da natureza traz. Debaixo de água, a beleza da vida marinha goza-se mergulhado num mundo em que o nosso ouvir é um sentido quase inútil.
Não sei o que motiva esta atitude. Talvez o povo português esteja já tão triste e desiludido que não suporte os momentos em que se espera que se sinta ainda mais assim... Talvez seja só uma moda, estúpida como todas as modas. Um querer ser diferente só por ser diferente...
Seja como for, o silêncio, com todos os seus significados e beleza está a fugir-nos e com esta atitude, poderemos estar a matá-lo.
Espero que o minuto de menor ruído que lhe pedi antes tenha servido para o sensibilizar. E se não foi o caso, ao menos que sirva de homenagem ao moribundo silêncio...
Se o conseguiu, poderá melhor apreciar o que pretendo transmitir com o post de hoje.
Recentemente verifico a ocorrência de um fenómeno na sociedade que se prende com o silêncio. O desrespeito pelo mesmo quando se pede que seja guardado um minuto de silêncio em memória de alguém ou para recordar um acontecimento trágico. Já assisti, a pelo menos duas ocasiões em que o minuto de silêncio foi preenchido por aplausos. Uma das quais num acontecimento desportivo onde estavam presentes estranjeiros que se entreolhavam chocados e surpreendidos pela atitude do público português em aplaudir durante aquele período. Alguns chegaram mesmo a assobiar e apupar essa atitude.
A ideia do minuto de silêncio é, em primeiro lugar, demonstrar pesar pela perda e respeito pela memória dos que nos deixaram, normalmente em situações trágicas. Em segundo pretende-se que as pessoas meditem durante esse período em tudo aquilo que pode significar para elas a morte de outros seres humanos e, consequentemente, em tomar consciência de que, inevitavelmente, chegará a sua vez.
Este silêncio permite a introspecção. Permite apreciar o peso dos sentimentos.
Da última vez em que vi o minuto de silêncio assim violado, as pessoas sorriam enquanto aplaudiam e conversavam com quem estava ao seu lado... Todo o significado da homenagem estava perdido para elas e portanto, a própria homenagem ficava vazia do mesmo.
Não tenho a certeza se em todas as culturas o silêncio tem o mesmo significado, mas sei que se observarmos uma criança, ainda não deformada pelas modas e imposições da sociedade, notaremos que os aplausos são manifestação de alegria e o silêncio significa abstracção, concentração e em caso de existirem motivos, tristeza.
Tive já também o privilégio de estar em locais onde o silêncio reina. No topo das montanhas do Gerês, podemos sentir a paz e a tranquilidade que a quietude da natureza traz. Debaixo de água, a beleza da vida marinha goza-se mergulhado num mundo em que o nosso ouvir é um sentido quase inútil.
Não sei o que motiva esta atitude. Talvez o povo português esteja já tão triste e desiludido que não suporte os momentos em que se espera que se sinta ainda mais assim... Talvez seja só uma moda, estúpida como todas as modas. Um querer ser diferente só por ser diferente...
Seja como for, o silêncio, com todos os seus significados e beleza está a fugir-nos e com esta atitude, poderemos estar a matá-lo.
Espero que o minuto de menor ruído que lhe pedi antes tenha servido para o sensibilizar. E se não foi o caso, ao menos que sirva de homenagem ao moribundo silêncio...
1 comment:
"Na minha vida há um silencio morto
Uma parte de mim
Que nao se pode ligar nem desligar
Nem partir nem regressar
Onde as coisas eram tão intimas
Como a voz terna da noite..."
Às vezes o silêncio diz muito mais do que as palavras...
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